Aline









     Era uma vez uma linda jovem de longos cabelos dourados que se chamava Aline. Ela morava com seus pais e sua irmã Rebeca, em um pequeno e pobre povoado chamado Nicolau.




     
     Ao redor do vilarejo de Nicolau havia três castelos, sendo que um deles não era mais habitado, pois se transformara apenas nas ruínas de Luck.



    

   Todos os dias, Aline e Rebeca trabalhavam no campo. Cuidavam da pequena plantação de verduras e legumes, e também de alguns poucos animais








   No entardecer, após o trabalho, Rebeca retornava para casa, enquanto Aline cantarolava saltitante em direção ao seu lugar preferido. Encurtava o caminho passando em frente ao  castelo de Moseq, habitado pelo Lorde Moseq e seus dois filhos: Edgar, o primogênito, recatado e tímido, admirador das artes, e com grande habilidade para os negócios, por este motivo foi escolhido pelo pai para administrar os negócios da família; e Feliph, filho mais novo, dedicado à arte da cavalaria e esgrima, participava de todos os torneios que a corte promovia. Era um vencedor nato, cobiçado pelas jovens damas, que o viam como um bom partido. Pelos mesmos dotes era visto como o orgulho de seu pai.




O filho mais velho de Moseq, Edgar trabalhava na biblioteca  do castelo, mas todos os dias ao entardecer, uma canção chamava-lhe a atenção. Um dia ignorou seus deveres e foi à janela, onde contemplou uma doce jovem de pele alva e voz macia passar saltitante frente ao castelo rumo ao bosque. Depois desse dia, Edgar passou a observá-la, durante semanas, meses,   até que a doce jovem parou de passar em frente ao castelo.






        Passados alguns dias, o jovem Edgar ansioso a espera da jovem, freqüentemente interrompia suas tarefas. E debruçado sobre a janela observava atento na esperança de vê-la  novamente, pensava sobre o motivo que a fez  parar de passar em frente ao castelo. À vontade de Edgar de vê-la novamente o fez tomar uma decisão: sair do castelo e procurá-la.
       No dia seguinte, Edgar decidido em procurá-la  ordenou ao criado que preparasse o cavalo. E saiu cavalgando em direção ao vilarejo, na esperança de rever sua donzela desaparecida..





   No povoado  encarava as jovens, perguntava inutilmente sobre a moça da qual nem sabia o nome.





        Cansado e desanimado por sua procura inútil, retornou ao castelo por um caminho diferente, seguindo justamente a estrada que o levaria ao terceiro castelo, conhecido como  “o sombrio.”
Enquanto Edgar cavalgava, o sol deu lugar a uma terrível chuva inesperada, deixando-o encharcado.





Sem local para se abrigar, foi em direção ao castelo para solicitar refúgio, batendo à porta:
        – Tok, tok.
        Não demorou muito para a porta se abrir lentamente, provocando um rangido. 



  Em meio à penumbra da entrada, um homem envelhecido de voz     cansada e rouca questionou:
            – O que deseja?              
  Edgar sentia tanto frio que abraçava os braços. Respondeu:
             – Solicito abrigo ao senhor do castelo.
            – Entre! – convidou o velho, conduzindo Edgar a biblioteca aquecida e iluminada por uma lareira.
        – A senhora já irá atendê-lo! Vou chamá-la. – Proferiu o velho, retirando-se da biblioteca, mas antes que subisse as escadas para chamar sua Senhora, a mulher de rosto envelhecido  e de corpo esbelto, surgiu no topo da escada, trajando um vestido muito bonito, que contrastava com sua fisionomia desagradável. O velho de imediato disse:
            – Senhora um jovem a aguarda na biblioteca.
      – Não estou esperando ninguém! – Disse a mulher insatisfeita. E chegando ao andar de baixo  seguiu em direção a biblioteca. Encontrando Edgar sentado em uma das poltronas, ao vê-la de imediato ele se levantou  reverenciando-a cordialmente, e ansioso não hesitou em questionar:
        – A senhora conhece a jovem que passa todos os dias em frente ao castelo de Moseq?
A Senhora, agora admirada pelo rapaz, insistiu estendendo a mão para cumprimentá-lo:





        – Como vai, rapaz? Acalme-se! – Edgar educadamente pegou na mão da Senhora e beijou-a. Ela fez um sutil sinal ao criado, que imediatamente trouxe uma coberta colocando-a sobre as costas de Edgar, que, encharcado, tremia de frio.
      – Do que se trata? – continuou a Senhora com um súbito interesse. – Sente-se e me conte desde começo.
    Enquanto Edgar narrava os fatos, a Senhora o admirava nos mínimos detalhes.
        Edgar terminou de contar e prontamente a Senhora lhe disse:
– Eu irei ajudá-lo!  
– Como? – Respondeu Edgar, surpreso.
      – Daremos uma festa e você convidará todas as moças do povoado. Assim você poderá encontrá-la. – Respondeu a astuta Senhora.
    Alguns dias depois, os convites já estavam espalhados por todo o povoado. No castelo da Senhora, os criados estavam finalizando os últimos preparativos.
       Enquanto isso, Aline trabalhava nos campos fazendo suas tarefas e as de Rebeca, sua irmã mais nova.




Enquanto isso ...

Rebeca, da janela de seu quarto, avistou um convite ser preso ao muro em frente de sua casa, provocando um amontoado de moças. Curiosa com o que as moças diziam, Rebeca se apressou em correr para ver do que se tratava.
– Um baile! – Diziam as moças, entusiasmadas.
– Oh!  Haverá um baile no castelo da Senhora. – Disse Rebeca surpresa, e logo pensou: mas ela não é aquela...




  Rebeca instigada pela enorme vontade de conhecer como era um baile de nobres, embora desconfiada por ser realizado no castelo da Senhora. Quando Aline chegou em casa, Rebeca correu para contar a novidade a sua irmã querida. Aline, assustada com tal convite, pensou que se tratava apenas de uma brincadeira de Rebeca, que afirmou que o convite era real, tinha inclusive selo real, e havia sido preso no muro em frente a casa. Aline não demonstrou interesse algum em ir ao baile.
        Rebeca sonhava acordada com o baile, e implorou à mãe que a deixasse ir, mas ela foi muito clara:
        – Rebeca, você ainda esta se restabelecendo.
        – Ah, mãe – Rebeca implorava.
        – Só se sua irmã for também!
        Rebeca mais que depressa correu em direção a Aline, suplicando-a que a acompanhasse ao baile. Aline não resistiu à solicitação da irmã e concordou em acompanhá-la.
       Imediatamente começaram a confeccionar os vestidos, com muito cuidado e carinho.
        Enquanto isso, no castelo da Senhora, os preparativos já estavam quase prontos. Limparam o castelo, colocaram cortinas novas e luzes onde havia somente escuridão, nem parecia o mesmo castelo de antes. Mas a Senhora não se preocupava só com os preparativos do baile, trabalhava principalmente em sua sala secreta.





Enquanto isso...
  
         No castelo de Moseq, o jovem Edgar não continha a ansiedade de rever sua donzela.
      Chegou o dia do tão esperado baile. Todas as moças compareceram ansiosas, desejando encontrar um verdadeiro amor.         Rebeca e Aline chegaram sobre uma humilde carroça. Rebeca olhava fascinada para as carruagens, mas assim que a carroça parou, Rebeca desceu e correu em direção à música vinda do salão principal do castelo. Aline delicadamente desceu da carroça, despediu-se de seu pai e dirigiu-se ao salão, ficando próxima a outras moças.
       Edgar estava tão eufórico que não a viu. A Senhora desceu as escadas parecendo uma rainha, usando um vestido vermelho lindíssimo. Aproximou-se de Edgar para cumprimentá-lo quando, nesse instante, ele avistou Aline. Então, disse:
        – Encontrei!
        A Senhora, interessada questionou:
        – Onde ela está?
       Edgar sutilmente apontou para o local onde a jovem estava. A Senhora olhou, vendo muitas jovens. Irritada por não saber qual era sua rival, pegou duas taças, e jogou dentro de uma delas um pó que carregava dentro da pedra do anel. Em seguida, ofereceu-a ao jovem: beba para se acalmar. Edgar segurou a taça sem tirar os olhos de Aline. Tomou de uma vez só a bebida enfeitiçada, e gentilmente pediu licença à Senhora, e  seguiu em direção a Aline encarando-a em seus olhos fixamente a convidou para dançar, e dançaram, parecendo dois velhos conhecidos.
       A Senhora, com amor platônico por Edgar o observava dançar com sua rival, a repulsiva Aline, enquanto pensava: “Para a poção não fazer efeito, ele está realmente apaixonado”. Sussurrando em seus pensamentos: “Maldita. Então é com ela que...”.È melhor começar a agir.
        A Senhora se aproximou do casal que dançava e disse:
        – Ora, ora. Então, essa é a jovem tão procurada!
    Edgar interrompeu a dança, apresentando formalmente a donzela à Senhora:
        –  Esta é...
       – Sou Aline. – A jovem completou, reverenciando a Senhora, que insistiu:
        – Então, mocinha, você é a jovem desaparecida.
        – Desaparecida? – Questionou Aline.
  Para não dar explicações a Senhora virou o copo propositalmente derrubando a bebida sobre o vestido de Aline.




    – Ah, perdoe-me. Venha aos meus aposentos. – Convidou a Senhora. Conduzindo Aline a um dos quartos.
       – Tire o vestido! – Ordenou a Senhora.
       Aline retirou o vestido e o entregou à Senhora, que ordenou a uma das criadas que o limpasse.
    Aline, diante da penteadeira, olhava-se no espelho, esperando que trouxessem o vestido. A Senhora não podia esperar circunstância melhor. Pegou a escova e escovou o cabelo da jovem. Enquanto conversavam, a senhora aproveitou a distração de cortou um cacho do cabelo da moça, sem que ela percebesse.




    Nesse instante, apareceu a criada segurando o vestido. A Senhora aproveitou a oportunidade e disse:
       – Espero você na festa.  Saiu do quarto e guardou a mecha de cabelo de Aline dentro de uma pequena caixa sobre a mesa no corredor, ao lado da porta do quarto em que a jovem estava. Aline pegou o vestido das mãos da criada e agradeceu. Vestiu-se novamente e desceu as escadas em direção ao baile, à procura de Rebeca. Edgar aproximou-se novamente de Aline, exatamente no instante que ela encontrou Rebeca acompanhada dançando e rodopiando pelo salão. Aline gesticulou:
        – Devemos ir, agora!      
       Rebeca, sem parar de dançar, retrucou:
       – Mas papai só virá nos buscar mais tarde!
        Edgar inevitavelmente percebeu do que se tratava e disse:
        – Será uma honra levá-las.
       O gentil Edgar  buscou a carruagem e as levou para o povoado, deixando-as em frente à casa.
Na despedida, ele perguntou : – Posso vê-la novamente? –  A  tímida Aline, foi cutucada por Rebeca, insistindo que à irmã  dissesse sim.
    – Virei à sua casa amanhã! – Combinou o jovem lorde Edgar, entusiasmado.
        Aline desceu em silencio as escadas da carruagem, mas Rebeca encarou o lorde, e disse:
        – Amanhã, no bosque, à tardinha, ela estará lá! – E correu para entrar em casa junto de Aline.




     No quarto, antes de dormir, Rebeca não se continha de tamanha felicidade por conhecer um castelo. Enquanto escovava os cabelos, dançava pelo quarto sentindo-se uma princesa, sem esquecer o que disse a Edgar. Insistiu com a irmã:
        – Aline, amanhã, no bosque! Não se esqueça.
Enfim, amanheceu. Era um lindo dia de domingo. Aline ajudou a mãe nos afazeres e, logo em seguida, foi ao bosque.






    Aline mal podia acreditar que estava novamente no bosque. Feliz, ela cantava encantando todos os animaizinhos da floresta, mas um convidado inesperado foi atraído por sua canção, fazendo-a se calar pelo susto que levou..
        – Continue. – Disse Edgar, admirado.
    – Pensei que viesse ao entardecer. – Disse ela.
    – Fui atraído pela curiosidade antes da hora combinada. De fato, não me continha tamanho o desejo de revê-la. É lindo aqui!
Uma borboleta pousou no ombro de Edgar. Aline disse:
    – Não se mexa.
        Aproximou-se do jovem e ao tentar pegar a borboleta, ela voou e inevitavelmente os olhos de Edgar e de Aline se encontraram, despertando na jovem um inexplicável amor.
        Aline retomou os passeios no bosque, onde passou a encontrar Edgar.
       
Enquanto isso...
      A Senhora, cheia de pensamentos maldosos, trancada no quarto secreto, manipulava poções utilizando a mecha de cabelo de Aline. Depois de meses de experimento, o feitiço estava finalmente  pronto e condicionado dentro de um frasco. A Senhora o exibia diante de seus olhos:



        – Está pronto! Consegui! – dando uma pausa de alguns segundos e continuou: – Espere, tenho que...
        Pegou papel e pena e escreveu uma carta.





Depois  ordenou ao serviçal que a entregasse a Aline, dizendo que se tratava de um convite muito especial.
        Aline, ao retornar do passeio, encontrou defronte sua casa o velho serviçal de voz rouca que, assim que a viu, estendeu a mão:
        – Senhorita Aline, minha Senhora mandou! – Entregou a carta à Aline, e continuou: – Não sei do que se trata, mas insisto que não a leia.





    Aline entrou em casa, e sem dar ouvido à solicitação estranho serviçal. Apressada correu em direção ao quarto para ler a carta. No dia seguinte, Aline, após cumprir suas obrigações, foi direto ao castelo da Senhora. Bateu à porta sendo recebida pelo criado que, assim que a viu, temeu, por tê-la advertido. Aline entrou e foi conduzida ao salão, encontrando a Senhora sentada em uma das poltronas de frente para a lareira:
        – Olá, menina, sente-se.
        Aline, ansiosa para saber o porquê daquele convite inesperado:
        – Não posso demorar, pois tenho um encontro.
        Na mesa entre as poltronas, a Senhora estendeu a mão segurando a jarra entre dois cálices, e os servindo, se levantou e disse:
        – Com Edgar? – Em seguida, estendeu o braço e ofereceu o cálice a jovem, que por educação apenas o segurou.



        A Senhora, ansiosa para que a jovem bebesse o líquido do cálice apressou-a:
        – Não vai beber menina? Vamos beba! Não vai me fazer uma desfeita.  
        Aline acabou tomando o líquido do cálice. A Senhora satisfeita: – Isso menina beba tudo! – O veneno não demorou a fazer efeito, deixando a Aline desorientada.
        – O que houve menina! – Perguntou a Senhora irônica, e continuou: – Leve-a para um dos aposentos! – Ordenou para o velho serviçal que, a contragosto, carregou a jovem já desmaiada para um dos aposentos.
        A Senhora foi à sala secreta, buscou a poção que havia feito. Em seguida, subiu as escadas. O criado a avisou:
        – A jovem está no aposento rosa, minha Senhora!
        A Senhora, então, mudou de direção:
        – Que seja!
      Entrou no quarto e fechou a porta. Ficou de frente para o espelho, segurando o pequeno frasco, pronunciou : reversos. E tomou a poção de uma só vez. Sentiu-se sufocando levando as mãos ao pescoço. As veias em sua testa ficaram extremamente visíveis e latejantes. Encarando-se no espelho viu refletir sua transformação em Aline.




      
      – Consegui! Agora serei amada. – Lembrou-se do encontro sobre o qual a jovem falara. Continuou a Senhora falando consigo mesma:
        – Onde será esse encontro?
                           
A Senhora saiu do quarto, deixando Aline trancafiada. Horas mais tarde, a jovem vítima acordou lentamente. Ao abrir os olhos, reconheceu o quarto do castelo da Senhora e correu em direção à porta, encontrando-a trancada. 





Ela bateu com veemência na porta, na esperança de alguém tirá-la dali. Quando casou de esmurrar a porta, foi frente à penteadeira, puxando o pano que cobria o espelho. Quando se olhou, gritou ao ver a imagem da Senhora refletida.





       – Não pode ser! – Exclamou ela tocando a face.
     A Senhora subiu as escadas saltitantes, abriu a porta, entrou e trancou-a novamente, dizendo:
       – Rá, você acordou! Onde você se encontraria com Edgar?
       Aline encarou a Senhora, surpreendendo-se ainda mais:
     – Mas, você sou eu,  como se parece comigo?E eu porque estou com seu rosto?
       – Vamos, pare de bobagens. – Disse a Senhora   insistindo : Responda! Não há nada a dizer! – Diante do silencio de Aline a Senhora simplesmente disse:
      – Que seja! – E saiu do  quarto, trancando a porta do cativeiro de Aline, e ordenando ao serviçal:
       – Não a alimente.

      O serviçal, apiedado de Aline, aguardava a Senhora dormir e silenciosamente entrava no quarto da prisioneira levando um saco com  frutas.




        
     – Não deixe a Senhora perceber. Coma, senhorita... – Disse o Serviçal rompendo o silêncio,  Aline, percebendo aquele ato de bondade, suplicou ao velho homem:
        – Deixe-me sair, por favor!
        O velho, diante de tal pedido, e impedido de realizá-lo, baixava a cabeça e saía do quarto.
      Mas a insistência de Aline tocava-lhe a alma. O serviçal passou a encarar uma das paredes do quarto todas as vezes que levava frutas à prisioneira. Aline percebendo a expressão dos olhos do calado homem , e não tendo mais nada a perder, esperou que ele saísse do quarto, para correr em direção a parede. Apalpando-a, encontrou uma passagem secreta. Mais que depressa, saiu pelos túneis do castelo, passando em frente a porta da  sala secreta da Senhora.

E seguiu pelo túnel que a levou ate o bosque. Mas enquanto percorria o caminho, imaginava como chegaria em casa com aquela aparência, pois ninguém acreditaria em sua história. Triste retornou ao quarto.





     No dia seguinte , Aline se cobriu com uma capa e retornou ao túnel secreto, e desta vez entrou na sala secreta da Senhora e vasculhou os livros e papiros, na esperança de reverter o feitiço.

  
   

   Não encontrando nada, retornou ao corredor secreto e seguiu rumo ao   bosque, aproximou-se do lago, respirou profundamente. Enquanto se olhava no reflexo da água, uma lágrima rolou sobre sua face. Aline, para aliviar a dor e angústia de não poder retornar à sua verdadeira vida, cantou:




     “Um dia irei retornar ao meu lugar”,
       Um grande amor viverá.
       Meu príncipe, vou reencontrar.
       E meu amor pra sempre amar.
       Um dia irei retornar ao meu lugar.
   Enquanto Aline cantava, a face de Edgar se refletiu na água. Aline se virou cuidadosamente, e puxou o capuz escondendo sua face, e se levantou e correu. Edgar a seguiu, chamando-a:
        – Aline! Aline!
     Aline se apressou, numa tentativa inútil de fugir. Edgar alcançou-a pelo braço, e disse:
        – Onde você estava? Eu a esperei por dias.
        Aline parou de fugir e sem encará-lo respondeu:
   – Solte-me! Devo ir agora! – E correu bosque adentro. Até desaparecer  entrando na passagem secreta. Edgar, sem compreender nada, insistiu:
        – Aline!


        



















Enquanto Aline entrava  túnel adentro  encontrou a Senhora, na sala secreta manipulando alguns ingredientes, dizendo:
        – Ela vai falar, hehehe.




















Aline espiou pela porta esquivando-se para não ser vista, e no momento oportuno passou rapidamente frente a porta, e correu em direção ao quarto em que era prisioneira, chegando antes que a  perversa Senhora notasse a sua ausência.
     Edgar, percorreu o bosque sem encontrar sua amada, preocupado com seu desaparecimento, foi à casa da jovem,  encontrando a família inconsolável.
        – O que está havendo? – Perguntou ele.
        – Não vemos Aline há dias. – Respondeu Rebeca.
        – Mas eu a vi ainda hoje. – Explicou Edgar.
        – Algo aconteceu! – Concluiu Rebeca.
        – Faremos uma busca no bosque! – Sugeriu Edgar.
        Naquele mesmo dia, Edgar reuniu um grupo de homens e passaram o dia e a noite vasculhando o bosque, na tentativa inútil de encontrar Aline.
        Edgar, inconsolável, foi ao castelo da Senhora na esperança de que ela pudesse ajudá-lo novamente. Bateu à porta, e o velho serviçal se apressou em atendê-la. Vendo que se tratava do jovem Edgar, disse:
        – Entre! – Levando-o à biblioteca, continuou:  –Sente-se, chamarei a Senhora.
        O velho subiu as escadas, batendo na porta do quarto da prisioneira:
       – tok.tok
   – O que foi dessa vez? –Disse a Senhora irritada, pela interrupção do interrogatório que realizava.
        – O jovem deseja vê-la, Senhora!
       Aline, nesse instante, correu em direção a porta, mas antes que a tocasse, foi jogada ao chão pela Senhora, que disse:
        – Fique quieta, tenho convidados. Não preciso mais de você, mocinha. Hehehe! – E saiu do quarto trancando a porta novamente. Desceu as escadas e foi em direção à biblioteca, onde encontrou Edgar em pé, junto à lareira, que ao vê-la, disse:           
       – Aline, o que você está fazendo aqui? – E se apressou em abraçá-la.
        No quarto, a verdadeira Aline se levantou do chão, foi à porta do quarto em que era prisioneira, esmurrou na tentativa inútil de pedir socorro, sentindo-se triste e desolada, aproximou-se da janela e começou a cantar.
“Eu sou um pássaro
Tenho asas, mas não posso voar,
Conheço a liberdade, mas estou cativo neste lugar
Quero voar, para longe daqui, seguir meu destino, e meu canto fazer ouvir,
Sou um pássaro ferido....

      A voz da verdadeira Aline ecoou pelo castelo, chegando aos ouvidos de Edgar que  abraçava a Senhora transfigurada de Aline..
     – Aline o que você esta fazendo aqui? Quem esta cantando? – Disse Edgar Intrigado, e sem pestanejar, começou a procurar de onde vinha àquela canção. Enquanto   a falsa Aline a sua frente tentava impedi-lo de sair da biblioteca, mas Edgar determinado  foi em direção a musica, e subiu as escadas, chegou à porta do quarto e tentou abri-la, sem êxito, arrombou-a, dando de frente com a  Senhora. Ele a olhou nos olhos e perguntou:
       – Porque a Senhora esta trancada? Essa voz? A Senhora canta como Aline!





        A verdadeira Aline calou-se, enquanto a falsa Aline sentindo-se ameaçada, pegou o frasco de uma poderosa poção mágica e o investiu sobre a verdadeira Aline, mas  Edgar segurou a mão da falsa e enfurecida Aline, ajudando a  verdadeira Aline a se desvencilhar do frasco de veneno e fugir. A falsa Aline empurrou Edgar, deixando-o para trás, e partiu atrás da verdadeira Aline que, apavorada, desceu as escadas e saiu do castelo rumo à velha estradinha de chão que a levou ao castelo em ruínas.



 Aline subiu os degraus da escada das velhas ruínas. Enquanto (a falsa Aline), ainda com a poção em mãos, alcançou Aline, insistindo em envenená-la. As duas lutaram. A falsa Aline, forçava a mão na tentativa de acabar com a vida da moça.




        Edgar se aproximou da luta, e disse:
        – Aline, porque esta fazendo isso? Eu amo você!
        Tal frase desvirtuou a atenção da (falsa Aline), e a verdadeira Aline aproveitou esse instante, trocando de posição com a falsa Aline, que se desequilibrou. Edgar tentou segurá-la, mas ela caiu ruína abaixo, dando seu último suspiro! Edgar gritou com toda sua força, acreditando que seu amor havia caído:

        – Alineeeee!






Edgar se debruçou nas ruínas, enquanto olhava desesperado o corpo caído ao chão, dando seu ultimo suspiro. Ele desconsolado chama pelo seu amor:
        – Aline...
Mas a verdadeira Aline respondeu:

         – Estou aqui!






Fim.





























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